domingo, 3 de abril de 2011

Musiquinha e chameguinho


A primeira vez que tive contato com os cariocas da Letuce foi por intermédio de Lalá - que sempre descobre as coisas mais fofas do mundo. Esta minha amiga me enviou um vídeo da banda cantando "Depois do Prazer", eu confesso que na hora nem dei a devida atenção, mas é meio assim mesmo que funciona, toda banda tem a hora certa de despertar atenção na gente, muitas vezes é instantâneo, outras vezes não.

Foi num dia, não mais que do nada revendo essas fofuras de vídeos e prestando mais atenção no próprio citado anteriormente (o do Churrasquinho Sunset) é que entendi onde a banda fincou suas raízes e criou sua identidade, aí sim foi amor a primeira vista.

Além da voz suave e melodia que acompanha essa delicadeza do jeito certo, além de fazer essas versões de músicas de pagode romântico, além de arrasar no visual, além de tudo isso a Letícia e o Lucas, integrantes da banda, são fortes candidatos a serem o casal moderno mais fofo, lindo e engraçadinho da face da terra. Os dois são um chamego só, nos clipes, nas apresentações ao vivo, da gosto de ver.

O mais legal disso tudo é que essa virou uma marca registrada da banda, como disse anteriormente o romance do casal se tornou uma identidade única e de muito sucesso. E tudo isso acontece de forma muito natural, leve e cria uma atmosfera gostosa que não enche o saco de quem está ouvindo ou vendo o show.

Acho que mais não dá pra falar, o resto dá pra sentir assistindo ao clipe...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Já passou

Não se analisou a probabilidade ele. De repente ele deixara de existir. Ele foi um grande mal entendido, ele foi um caso mal feito, ele é só problema meu. Meu e da minha loucura, da minha avidez, dos meus tropeços.

O que importa é que já passou, já acabou, não em mais jeito de pensar o contrário, não vejo formas de reverter o nó que eu dei no lugar do laço, aliás, é o que faço sempre, ponho tudo a perder, mancho todos os tecidos brancos.

Será que se eu fingir que não existiu, não vai existir de verdade? Sim, vai evaporar, como todos os conflitos que eu desenvolvo aqui dentro, vai acabar evaporando. Aliás essas minha viagens são pano pra manga, construções em cima do real de um imaginário completamente sem sentido, como a adaptação de Memórias de uma Gueixa para o cinema, sabe?

Ele é agora só mais um exemplo de uma das minhas loucuras, - pensando bem não foi nem de longe o ápice delas - de como eu não sei nada sobre comportamento humano e quando a relação é direta tudo fica pior ainda.

"Já passou, já passou
Se você quer saber
Eu já sarei, já curou
Me pegou de mal jeito
Mas não foi nada, estancou"
Já Passou - Chico Buarque

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Te amo quando vejo seu perfil

Dizem que a solidão é o mal do século, mas o que eu vejo são as pessoas cada vez mais conectadas umas as outras. Essas ideias não são contrárias quando analisamos que na verdade a linha que conecta essas relações é esse medo da solidão. Só que esse cordão é fraco e o que tem acontecido é uma super onda de 'eu te amo' com pouco amor de verdade.

Acho que esse super convívio mal concretizado é que é o mal do século, ninguém sabe como é estar consigo mesmo e como se sentir bem aturando sua própria existência, não sabem também desenvolver amizades sinceras, dignas de verdadeira confiança... Aquela amizade que não precisa ser alimentada com doses de presença todos os dias, sabe? Porque você pode confiar que mesmo na ausência os sentimentos daquela pessoa ainda são os mesmos.

Ninguém está a fim de se preparar para receber a missão de ser amigo de alguém na verdade, mas todos exigem lealdade, todo mundo quer cada vez mais estar cercado de gente. Isso não é o ruim, mas é mesmo necessário que seja o tempo todo? É gostoso dar risadas, conversar e trocar informações, é gostoso interagir. Mas nem só dessa interação é formado o ser humano, precisamos de um tempo pra absorver essas informações e resignificá-las, não dá pra viver só do outro - ou dos outros - não é saudável e nem construtivo.

Não sou contra as manifestações de amor a primeira vista, mas me acho realista o suficiente pra perceber que isso não acontece muito, o que acontece mais é aquela coisa de afinidade, mas isso é só uma porta para um caminho de troca de experiências, mas tem gente que fica parado ali mesmo, vendo o caminho de longe e achando que já conhece todos os obstáculos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Teoria do Esquecimento (ou Prazo de Validade)

Engraçado como a gente luta tanto para conseguir tirar da memória alguém que consome cerca de 70% do espaço e essa pessoa geralmente demora a sair dali e quanto mais você luta mais embaralha os vestígios dela entre suas entranhas.

De repente, você está ali sentado de frente pra ele, ou cruza seu caminho no corredor, ou pegam o mesmo ônibus, ou qualquer outra dessas trivialidades acontece e aí está o ponto. Vira trivial.

Vira trivial... Quando isso acontece você percebe que todoas as lutas na base do cabo de vassoura que você travou consigo mesmo foram vãs, porque o individuo foi embora sem nem pestanejar e não mais que de repente, aí vem outra preocupação. Será que nunca aconteceu de verdade, nunca ultrapassou a barreira de um dia tornar-se corriqueiro?

Nem aquela vez que eu jurei e ouvi juras, até aí passou, até quando eu pensei que não ia passar mais nunca, que o chão faltaria para sempre, que um fragmento meu - justo aquele que me dava suporte e segurança tinha se partido. Não partiu. Não quebrou, só andou meio bambo, mas logo voltou a trilhar certo caminho(ou o caminho certo?).

A vida no final tem sido isso mesmo, sem quebrar e parecendo quebrado, sem doer e causando dor, sem chorar e derramando lágrimas e aí a gente conserta o que não precisa (ou não tem conserto), o que não dói é acalentado e o que as lágrimas não molharam a gente seca. E vai levando.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Câncer

Bateu a porta com força, mais cedo já tinha arrumado tudo. Ou será que bateu a porta com tudo e mais cedo já tinha arrumado força? O fato é que saiu. Saiu e deixou só um maço de cigarro sobre a mesa, tanta coisa pra se esquecer, livros com marcas nossas, cartas mal acabadas feitas de bilhetes para geladeira, mas só ficaram mesmo os cigarros.

Já fazia tempo aquela minha inquietação, ensaiei mil maneiras de lhe dizer aquilo, em todas elas você estava tão frágil e eu decidida enquanto me olhava no espelho e repetia quase com certeza eu vou ter que te deixar. De tanto que repeti acreditei mais do que o que deveria, de tanto dizer achei que até você já tinha escutado.

Mas faz poucos dias desde aquela manhã que eu realmente disse e você nem reagiu mal, levantou e perguntou se eu estava certa, acho que minha convicção ensaiada funcionou tão bem que você a sentiu pairando no ar e foi aí que não esperou a resposta, aproveitou e saiu, foi até o quarto e eu também saí, fui direto para a escada e lá fiquei algumas horas pensei em ir lá de novo e te dizer novamente, estava incompleta, me faltava uma reação sua.

E naquele dia foi tudo o que aconteceu e mal nos falamos até então, quando hoje cheguei cansada depois de um dia todo na rua, por aí e sem destino, após ter saído de casa sem nem ter calçado os chinelos, entrei a tempo de te ver saindo e batendo a porta, provocando finalmente algum estrondo.

Dei uma olhada em volta e me deparei com o maço aberto sobre a mesa, decidi calibrar o seu cheiro que já era forte dentro da sala, ascendi um cigarro e depois outro e outro, seguidos, descompassados e com os pés sujos timidamente sobre o centro, acho que porque sabia que você censuraria tal ato, acho que porque queria que você voltasse e se esquecesse de tudo e aí reparasse nos meus pés e esse fosse nosso maior problema. Senti um frio estranho que me fez encarar a janela onde a cortina solidária tremia junto comigo.

Trêmula, pensando na quantidade de nicotina que eu já ingeri, me levantei e fechei a janela, fiz mal, porque agora era eu a única que tremia na sala e era sem explicação. A passos lentos fui conferir no armário se você não esqueceu nada, não, talvez só tenha esquecido de ficar e de esquecer tudo o que eu disse. Acendi outro cigarro e fiquei até com raiva por um minuto pela bagunça que você fez entre minhas coisas procurando pelas suas, mas isso é nada diante da bagunça que você fez na minha vida enquanto saía dela. O que eu faria agora com tanto espaço no armário? De certa forma gostava de me amontoar entre seus pertences.

Mas logo encontro um jeito de te apagar de mim, só preciso de mais um tempo, para me orientar e entender que tudo isso é simples falta de hábito, estranhamento. Logo eu te limpo de todas as minhas músicas favoritas e dou a elas o sentido vazio e distante de antes. Preciso queimar tudo, mas toda vez que ascendo o isqueiro não faço mais que produzir cinzas, acho até que estou provocando o efeito contrário e estou te tragando pra dentro de mim cada vez mais. Agora eu tenho todo o espaço que queria, o que vou fazer com ele?