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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Alternativa obrigatória

Ressuscito o espaço pela necessidade de falar de um assunto que sempre rondou o blog: música. Mas não só de música... Mas pra que fica nessa de vou falar sobre isso e aquilo? Melhor é dizer logo.

Ao passado quando entrei no Coletivo Suíça Bahiana e Circuito Fora do Eixo recebi um dos primeiros kits da rede, um super distribuição de um rapper um tal de Emicida que era um nome em que todos apostavam e um cara parceirão da rede. Eu não conhecia, não gostava de rap, ou melhor não tinha proximidade com o estilo.

Esse ano em 2011 assistindo o VMB dou de cara com o artista do ano, o novo VJ, ( e o headline do Festival Suíça Bahiana) o tal do Emicida. Mas o quadro já é outro, impossível não saber quem ele agora, tenho colegas de faculdade apaixonadas por ele e tudo (tipo Justin Bieber, sabe?). Na mesma premiação Criolo levou uma porrada de prêmios e ainda cantou com Caetano Veloso e o Emicida tocou com Macaco Bong e que já topou com Gilberto Gil num desses palcos da vida.

Esse breve histórico é só pra justificar a minha visão sobre isso tudo, não conheci o Emicida do nada, nem o Criolo, todos vieram apresentados por uma plataforma que tem um embasamento do caralho. E tudo isso é o que me faz concluir que o que está acontecendo com os caras não são fatos isolados.

A construção do independente está acontecendo, é real. Daí a importância de um Circuito como Fora do Eixo que ano passado fez com que a mixtape do Emicida chegasse a mais de 50 cidades do Brasil e que esse ano pode fazer chegar a mais de cem. Aí vem um cara ou dois dizer que nunca viu um artista da rede sair do lugar que estava quando tudo começou. Onde é que estava essa galera a cinco anos atrás?

Não quero só afirmar o Circuito, o FDE é só um lado. Acho que a cena alternativa não é mais 'alternativa' o jogo virou e a produção de música de qualidade necessariamente passa por aqui em algum ponto e agora falo como futura jornalista: onde é que estão esses meus colegas? Dormindo? Assistindo a coluna do Nelson Motta e relembrando os velhos tempos enquanto o mundo se transforma?

Até quando a melhor revista sobre música atual - a revista Noize - vai ser inferior a Rolling Stone? Aqui a gente distribui em média vinte revistas Noize por mês (e distribuiria quanto mais estivesse disponível), quantas Rolling Stone são vendidas nas bancas de Conquista?

Cena alternativa a quê? Nos padrões de quem? Tem que ver isso aí hein...

domingo, 15 de maio de 2011

Verdade Tropical

Já faz tempo que eu queria ler esse livro que me encantara em tudo começando do nome. Mas demorei até comprar, demorei tanto a ponto da edição normal se esgotar e eu tendo que acabar comprando a de bolso mesmo.

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A obra de Caetano sempre me instigou muito, desde bem pequena na verdade. É dele o primeiro álbum que tenho recordação de ouvir, minhas primeiras memórias musicais. Na verdade era uma coletânea dessas de série tipo "Perfil", "Novelas", "Milenium", essa se chamava "Minha História" e o nome não poderia ser melhor.

Verdade Tropical é um livro especificamente sobre a Tropicália e sua narrativa traz a visão do Caetano dos anos 90 sobre aquele jovem que organiza o movimento lá em meados de 60. Um Caetano cujas incertezas e a ingenuidade são inimagináveis e não só se desvendam através da delicadeza de personalidade, das memórias da infância como se afirmam cruciais para criação de um movimento tão legítimo e original.


Movimento este que consiste na maior ruptura sociológica na história da música nacional, uma quebra de paradigmas tão grande que acabou atingindo outros pontos como a estrutura da própria política. E aqui eu coloco propositalmente a música antes da política porque eu não sei qual é a opinião da maioria das pessoas, mas antes de ir a fundo na obra de autores como Chico Buarque, Maria Bethânia e o próprio Caetano Veloso - principalmente neste livro - eu imaginava uma politização desses artistas muito maior do que o que realmente era. Um engajamento contra o caos militar que elementos como as prisões e o exílio alimentam, mas que o próprio Verdade Tropical desmistifica.

Se em particular eu já julgava a obra em uma perspectiva muito mais artística, passei então a crer num movimento todo embasado nessa ideia. Uma contra-cultura musical que brincava com a alienação da jovem guarda mas reconhecia o apelo popular de artistas como Roberto Carlos e valorizava isso. Ao passo que questionava justamente o que estava posto como MPB e o que era então a "música de esquerda" na época com Geraldo Vandré, Edu Lobo e etc.


A Tropicália fazia a junção fantástica da vulgaridade de Carmem Miranda com a estranheza psicodélica do rock traduzindo tudo a nível popular e ao mesmo tempo com um refinado requinte intelectual. Era a mistura desse boom criativo que o Brasil exalava na época com o Cinema Novo e os poetas concretistas. É um movimento filho de Terra em Transe com Chega de Saudade.


Caetano e sua cabeleira longa, seu rebolado e sua sexualidade ambígua. A loucura genial de Tom Zé que irradiava até no olhar. A inteligência cativante de Gil capaz de traduzir Hendrix usando uma linguagem Jorge Ben. A ousadia psicodélica dos Mutantes tocando de costas para o público. Toda essa incontestável atraente rebeldia esteve durante esses dias nas minhas mãos e rechada de contextualizações e referências que completam o sentido da obra.


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