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domingo, 11 de setembro de 2011

Lira de Lirinha


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José Paes de Lira, o Lirinha do Cordel do Fogo Encantado lançou seu primeiro álbum solo. Pra quem está com saudade dos tambores do Cordel ainda não é satisfatório, mas para quem delirava de vontade de ouvir de novo a voz marcante e as letras que rasgam a gente por dentro, é uma experiência fantástica.

"Mas ninguém viu a marca no meu corpo, como é que pode alguém entrar e dentro se desmanchar?"

É um remédio pra quem sofre de saudade, quem vive de amor, quem se alimenta de paixões. Pode não ser forte como a gente tá acostumado a sentir a presença do Lirinha, mas é arrebatador dentro da sua nova atmosfera, dos novos caminhos da suas melodias que agora deixa de ser essencialmente percussiva  e ganha outros embalos.


O disco conta com a participação de Otto na faixa Valete e é particularmente especial não só pela presença do cantor, mas pelo tom diferente da música, a suavidade, o nível de entrega. Valete também conta com a voz de Ângela Ro Ro (sim, aquela mesma...). Fernando Catatau toca violão em Sidarta e eu fiquei com gostinho de quero voz - ai, aquele sotaque...

Falando em participações, quem fecha o álbum é João Diniz Paes de Lira, filho de Lirinha que interpreta uma música de sua própria autoria, o mais interessante é que é em inglês, quebra de linguagem, mas não de emoção.

Com tudo isso só dá pra dizer que Lira é um álbum todobom!, completo, lindo! E está dispoível para download no site oficial com todas as letras, ficha técnica e demais informações.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

China - Moto Contínuo


Quando os seus pés vão se encontrar com os meus?

Finalmente saiu o novo álbum do China, eu particularmente esperava muito por isso.
Esperava tempo adentro. Esperava de expectativa. De qualquer modo, esperava impaciente.

Um pouco como esperava Moto Contínuo chegou com uma pegada justa. Justa por ser condizente com o envolvimento do China no Del Rey, por ser um puta álbum bem feito, por ter um monte de mulher foda fazendo participações especiais. O que é aquela faixa - Overlock - com a Pitty?

Parecia que eu estava com o espírito tratado para receber o CD. Fui me conectando com cada faixa, absorvendo o máximo possível desde a primeira audição. Um monte de frases batendo de imediato, outras prontas para serem redescobertas a partir de segundas, terceiras e quartas audições. As nuances da melodia então, cada hora uma surpresa nova e a certeza de que vou me apaixonar por esse álbum muitas vezes ainda.

Tá ficando chato, mas eu tenho que dizer o quanto a voz desse menino é envolvente. Que presença forte, o melhor de tudo é que vai ter sempre um gosto de maladragem, Um 'joinha'. A culpa é desse sotaque gostoso.

E é embebida pelo álbum, desenvolvendo o texto nos passos desse meu caminho entre faixas que declaro Moto Contínuo é TODOBOM! E eu me sinto estranhamente orgulhosa, feliz por ver o quanto esse álbum complementa os outros dois e todo o resto. Feliz pelo trabalho ter ficado tão lindo.

Baixe aqui o álbum e retweet o @chinaina, curta no facebook - vale a pena ele tá com um buchinho lindo na foto! - divulgue etc, etc.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Deus e o Diabo no Liquidificador - Cérebro Eletrônico

Enérgico. Rompante. Aéreo.

Bater Deus e o Diabo no Liquidificador rende uma combinação gostosa e contemporânea. Onze estágios sublimes com experimentações psicodélicas, cotidianas, analíticas, desordeiras e estonteantes.

É de perder a decência.

A mistura que mais parece um coquetel de substâncias psicoativas é o terceiro álbum dos @cerebrais. Um pseudo estudo dessa classe urbanóide, dos dramas da ressaca – moral também conta – ou da cara limpa mesmo e dos amores, por que não? Também há espaço para o amor nessa loucura de vida. Para o melhor dos amores.

Porque “eu só saio dessa cama quando você me disser decidida que me ama” não é pouca coisa.

Mas as faixas vão além da construção mirabolante/extraordinária das letras, uma explosão de estilos musicais aparecem ligados numa 220V. Circuito ou veias? O que guia essa experimentação tem uma pegada muito forte, é o jeitinho próprio, que no Pareço Moderno já é decisivo, é essa indução ao ultra-contemporâneo. Esse carnaval desestabelecido.

É pra sair, se jogar no iê iê iê, no bafafá...

Mas se não parece satisfatório experimente a cereja do bolo, Hélio Flanders do Vanguart embala uma das canções mais fiéis a minha teoria a respeito do álbum. A Garota Estereótipo, esses pequenos seres clichês que povoam a terra. A terra e a imaginação da maioria dos artistas, meio Alcalina (uma menina fatal...), meio Matriz (menina singular...), mas com um toque de deboche e até delicadeza que só um Cérebro Eletrônico é capaz de produzir.

Resultado final: todobom! Um álbum gostoso que dá vontade de continuar escutando, repetindo e relembrando os outros trabalhos da banda. Nada melhor que saber que vai poder encontrar mais de alguma coisa que você goste muito. Bom que esteja tudo ambientado numa atmosfera parecida, mas que não deixe a sensação de mais do mesmo. Cérebro é assim. Os dados estão Lançados.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tono Tono!

A banda carioca foi uma das melhores descobertas que eu fiz no Melodybox. Tono tem uma sonoridade gostosa e muito marcante, mesmo suave uma ‘aura’ paira sobre as músicas atribuindo uma identidade que mesmo quando mesclada com outros ritmos se impõe. O segundo álbum da banda merece toda a atenção, lançado em 2010 o disco homônimo ao grupo consegue a proeza de ser todo bom, faixa a faixa.

Não Consigo é a primeira faixa, um bolero envolvente que casa o ritmo ousado com a expressão suave da voz da cantora e é uma das faixas mais características desse trabalho. Destaque para o refrão que consegue desenhar na melodia o que a letra diz.

Segue com Me sara é onde se revela mais uma característica da banda. A presença de dois vocalistas e de gêneros distintos contribui para sustentar a atmosfera de cada canção e contrapor de forma suingada a delicadeza de Claudia e a enérgica – ainda que macia – voz de Rafael.

Sem falsas esperanças tem um balanço gostoso na marcação forte da percussão e seus solos admiráveis de flauta (palavra de semi anti-flautista) e sugere um ritmo gostoso que a continua em Corte no pé, quarta faixa do álbum. Uma explosão de sons que acompanham a letra simples e resulta numa música de grande potencial.

O ritmo todo desacelera na quinta faixa, a única em inglês do disco. O balançar da melodia vai te carregando até te deixar realmente ‘So In’.

Uma vez escutando Aquele Cara na sede do Coletivo a Ana (@anississima) disse ou twittou que eu estava escutando um “arrocha alternativo”. Realmente o ritmo baiano lembra ao longe – e com muito menos ‘requinte’ – será?

"É um afoxé, uma espécie de Macumba" é o que Bem Gil diz sobre a faixa, Ele me Lê é um abre alas – e abre caminhos - das apresentações ao vivo da banda. O ritmo e a repetição dos versos realmente devem funcionar pelo menos pra embalar o público. Oxalá!

Se na faixa anterior os versos eram poucos agora não existem, Mariposa é a única instrumental e seu coro de vozes funciona como outro instrumento melódico. Na minha experiência de audição funciona bem para alinhar meu espírito com a paz que segue no amor de Da Terra pro Sol o dueto delicado que é a canção mais bonita do álbum.

O ritmo contagiante de Sem Falsas Esperanças e Corte no Pé está presente na levada de Distante Demais que conta com um tempero apimentado que dá a presença especial do trombone deixando no ar um pouco do que é de ‘sangue latino’.

O Samba do Blackberry é uma experiência beirando ao indescritível, a letra inusitada e o ritmo quase que inventado é um samba hi-tech que tabém tem seu momento ‘Tono’ com a interferência vocal de Claudia. Sem dúsiva leva o título de faixa delícia.

Fechando essa gama de sons variados e tão expressivos Nega Música é suave, lenta, mas não é morta e surpreende numa saída sintetizada que casa com uma re-execução do álbum.

Destaques:

Me Sara conta com um clipe pra lá de divertido e ainda tem uma versão ‘proibidona’ no melhor estilo todo mundo nu que é melhor ainda, vale conferir.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

Bárbara Eugênia - Journal de BAD


Charmoso. O álbum da cantora Bárbara Eugênia não poderia ficar sem esse elogio. É uma musicalização de paisagens agradáveis, o som das coisas bonitas. Journal de BAD - que em português seria diário de Bad (apelido da cantora) - tem as mais relevantes das características que a nova cena Paulistana coloca em cena: uma estética agradável. Mas quem quem julga como fútil, se engana. A qualidade das músicas, o peso do repertório já apontam para a qualidade e valorização do trabalho, as participações especiais são só a cereja do bolo.

Faixa a faixa:

01 A Chave - a balada suave traça uma história que já é bem conhecida do coração da gente. Relacionamentos entre erros e acertos, lágrimas e risos e as vezes logo quando superamos lá vem os problemas de volta. A faixa tem esse dom de usar de forma engraçadinha para relatar essa luta feminina que é querer casar.

02 Por aí - O clima colegial me remete a duas memórias cinematográficas. O curta-metragem Espalhadas pelo Ar da Cineasta Vera Egito - eu até já comentei aqui - que se assimila pela temática adolescente ilustrada com a relação com o cigarro e o longa An Education (Educação) que relembra as colegiais da Inglaterra nos anos 60 com a protagonista Jenny. Ambos com uma direção de fotografia divina e também muito delicados, o que só os aproxima ainda mais da canção.

03 Embrace My Heart and Stay - essa não é a única música em inglês do álbum. Além de envolvente e um primor de composição com sua letra riquíssima que implora envolva meu coração e fique ou ainda esqueça dos outros em alguns aspectos me parecem uma versão de You know I'm no Good da Amy Whinehouse só que muito mais sutil, tanto na temática como no estilo provocante da canção.

04 Haru - Original, alegre a seu modo e como sempre delicada. WTF é Haru? Um nome? Nem o google disse.

05 Ficar Assim - Os sons divertidos e meio berrantes da introdução vão dando lugar a doçura da voz de Bárbara. De todas acho que é a mais "bem arranjada" deixa de lado um pouco a simplicidade e se faz mais elaborada. É difícil ter a sorte de um amor sem fim... - Fica até difícil argumentar depois disso.

06 Drop the Bombs - É a outra faixa em inglês do álbum. Se parece com Embrace my Heart and Stay, ao menos começa tão leve e sensual quanto, mas logo é mesclada com uma batida mais pop, que também não dura muito... Essa contraposição vem numa letra bastante vaga e meio ébria até, mas que não deixa de ser - e até mesmo por isso o é - envolvente.

07 Dos Pés - Faixa de ouro, conta com a participação mais que especial do Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico/Jumbo Elektro) é uma cantiga mansa como diria um amigo meu, a batida suave do violão. Ouvi do Carpinejar em algum lugar que amar é andar de mãos dadas de dia e pés dados a noite. Desde a primeira vez que ouvi a faixa esse pensamento me veio a cabeça e acrescentou mais: pés juntos também de dia.

08 Agradecimento - já que falamos de memórias essa faixa também me leva a outras recordações, acho que é um samba do Filipe Catto que também fala dessa coragem de largar tudo quando o que se tem já não é mais suficiente. Nessa a Bárbara é de novo mais sutil, agradece os bons momentos do amor vivido, mas reconhece a necessidade de ter que partir pra novos rumos.

09 O Oposto do Osso - se você já frequentou o blog antes provavelmente já conhece essa frase: vamos viver de chamego e agora sabe da onde veio a inspiração, tanta delicadeza só poderia sair daqui. A marcação das notas graves acompanhando um piano mais leve traz um sensação parecida às encontradas nas faixas em inglês e também por aí se revelando as vezes uma influência meio brega que ainda assim recebe um tratamento refinado.

10 O Tempo - a faixa é do Fernando Catatau e foi lançada originalmente no segundo álbum da banda Cidadão Instigado, não perdeu nada da sua emoção original, qual responsabilidade se deve justamente a uma característica mais rústica que tem o trabalho de Catatau, a suavidade da nova versão apesar de contrapor segurou a força da canção.

11 É, Rapaz! - essa música mescla os diferentes elementos do álbum, o refrão lembra a inocência das primeiras faixas, a letra toda tem esse gostinho de samba como em Agradecimento e alguma coisa na melodia puxa para a elegância de Ficar assim.

12 Dor e Dor - Regravação da música de Tom Zé que conta com a participação do mesmo sustentando o seu apelo poético. É sem dúvida a faixa mais enérgica e talvez experimental, justificando o peso do artista, mas não deixa de ter traços do trabalho da moça.

13 Sinta o Gole Quente do Café que Eu Fiz pra te Tomar - Uma palavra. Quatro Letras. OTTO. Para essa vai o título de faixa delícia do álbum divertida como marchinha de carnaval, a composição é do Tatá Aeroplano (olha ele de novo!) e encanta na simplicidade com versos como "Sinta o gosto tão gostoso do namoro" fechando o disco com chave de ouro com a premissa: "daqui pra frente todos os nossos dias serão mais felizes!"

Destaques:

O destaque vai para a aparição de Bárbara no Grêmio Recreativo do Arnaldo Antunes, onde ela canta entre outras Seis Minutos com o Otto e O Tempo com Cidadão Instigado.

Além dos videos lindíssimos do Música de Bolso: