Engraçado como a gente luta tanto para conseguir tirar da memória alguém que consome cerca de 70% do espaço e essa pessoa geralmente demora a sair dali e quanto mais você luta mais embaralha os vestígios dela entre suas entranhas.
De repente, você está ali sentado de frente pra ele, ou cruza seu caminho no corredor, ou pegam o mesmo ônibus, ou qualquer outra dessas trivialidades acontece e aí está o ponto. Vira trivial.
Vira trivial... Quando isso acontece você percebe que todoas as lutas na base do cabo de vassoura que você travou consigo mesmo foram vãs, porque o individuo foi embora sem nem pestanejar e não mais que de repente, aí vem outra preocupação. Será que nunca aconteceu de verdade, nunca ultrapassou a barreira de um dia tornar-se corriqueiro?
Nem aquela vez que eu jurei e ouvi juras, até aí passou, até quando eu pensei que não ia passar mais nunca, que o chão faltaria para sempre, que um fragmento meu - justo aquele que me dava suporte e segurança tinha se partido. Não partiu. Não quebrou, só andou meio bambo, mas logo voltou a trilhar certo caminho(ou o caminho certo?).
A vida no final tem sido isso mesmo, sem quebrar e parecendo quebrado, sem doer e causando dor, sem chorar e derramando lágrimas e aí a gente conserta o que não precisa (ou não tem conserto), o que não dói é acalentado e o que as lágrimas não molharam a gente seca. E vai levando.
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