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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Playlist Fundo de Caderno

Eu sou uma pessoa com terríveis problemas de concentração. A porta bateu, alguém espirrou, a formiga passou e pronto lá e foi quem estava se dedicando a alguma coisa.

Quando está tudo no maior marasmo, aquela combinação impecável que todo professor deseja de sala de aula silenciosa + comentários participativos não-provocativos de vez em quando, ah, aí tudo fica pior. Nesses momentos, um dos meus passatempos é escrever, ficar passando para o papel tudo o que perturba minha cabeça.

Na maioria das vezes essas coisas ficam só no fundo do caderno mesmo, são músicas, poesias, palavras soltas, qualquer coisa que fuja à realidade. Bem, elas ficavam... Porque num desses dias de playlyrics eu decidi compartilhar tudo isso que não faz sentido com o resto do mundo. Começando por quem visita meu blog.

Tentei não repetir artistas - já que Caetano, Chico e Otto comandam o espaço - e montei no Grooveshark uma listinha com algumas das músicas que fazem algum sentido par ao meu subconsciente - já que muitas são escritas dezenas de vezes, devem ser mantras.

Escute, mas não tente entender:



Mais playlists feitas por mim: http://grooveshark.com/#/garotaclinica

domingo, 15 de maio de 2011

Verdade Tropical

Já faz tempo que eu queria ler esse livro que me encantara em tudo começando do nome. Mas demorei até comprar, demorei tanto a ponto da edição normal se esgotar e eu tendo que acabar comprando a de bolso mesmo.

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A obra de Caetano sempre me instigou muito, desde bem pequena na verdade. É dele o primeiro álbum que tenho recordação de ouvir, minhas primeiras memórias musicais. Na verdade era uma coletânea dessas de série tipo "Perfil", "Novelas", "Milenium", essa se chamava "Minha História" e o nome não poderia ser melhor.

Verdade Tropical é um livro especificamente sobre a Tropicália e sua narrativa traz a visão do Caetano dos anos 90 sobre aquele jovem que organiza o movimento lá em meados de 60. Um Caetano cujas incertezas e a ingenuidade são inimagináveis e não só se desvendam através da delicadeza de personalidade, das memórias da infância como se afirmam cruciais para criação de um movimento tão legítimo e original.


Movimento este que consiste na maior ruptura sociológica na história da música nacional, uma quebra de paradigmas tão grande que acabou atingindo outros pontos como a estrutura da própria política. E aqui eu coloco propositalmente a música antes da política porque eu não sei qual é a opinião da maioria das pessoas, mas antes de ir a fundo na obra de autores como Chico Buarque, Maria Bethânia e o próprio Caetano Veloso - principalmente neste livro - eu imaginava uma politização desses artistas muito maior do que o que realmente era. Um engajamento contra o caos militar que elementos como as prisões e o exílio alimentam, mas que o próprio Verdade Tropical desmistifica.

Se em particular eu já julgava a obra em uma perspectiva muito mais artística, passei então a crer num movimento todo embasado nessa ideia. Uma contra-cultura musical que brincava com a alienação da jovem guarda mas reconhecia o apelo popular de artistas como Roberto Carlos e valorizava isso. Ao passo que questionava justamente o que estava posto como MPB e o que era então a "música de esquerda" na época com Geraldo Vandré, Edu Lobo e etc.


A Tropicália fazia a junção fantástica da vulgaridade de Carmem Miranda com a estranheza psicodélica do rock traduzindo tudo a nível popular e ao mesmo tempo com um refinado requinte intelectual. Era a mistura desse boom criativo que o Brasil exalava na época com o Cinema Novo e os poetas concretistas. É um movimento filho de Terra em Transe com Chega de Saudade.


Caetano e sua cabeleira longa, seu rebolado e sua sexualidade ambígua. A loucura genial de Tom Zé que irradiava até no olhar. A inteligência cativante de Gil capaz de traduzir Hendrix usando uma linguagem Jorge Ben. A ousadia psicodélica dos Mutantes tocando de costas para o público. Toda essa incontestável atraente rebeldia esteve durante esses dias nas minhas mãos e rechada de contextualizações e referências que completam o sentido da obra.


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Já passou

Não se analisou a probabilidade ele. De repente ele deixara de existir. Ele foi um grande mal entendido, ele foi um caso mal feito, ele é só problema meu. Meu e da minha loucura, da minha avidez, dos meus tropeços.

O que importa é que já passou, já acabou, não em mais jeito de pensar o contrário, não vejo formas de reverter o nó que eu dei no lugar do laço, aliás, é o que faço sempre, ponho tudo a perder, mancho todos os tecidos brancos.

Será que se eu fingir que não existiu, não vai existir de verdade? Sim, vai evaporar, como todos os conflitos que eu desenvolvo aqui dentro, vai acabar evaporando. Aliás essas minha viagens são pano pra manga, construções em cima do real de um imaginário completamente sem sentido, como a adaptação de Memórias de uma Gueixa para o cinema, sabe?

Ele é agora só mais um exemplo de uma das minhas loucuras, - pensando bem não foi nem de longe o ápice delas - de como eu não sei nada sobre comportamento humano e quando a relação é direta tudo fica pior ainda.

"Já passou, já passou
Se você quer saber
Eu já sarei, já curou
Me pegou de mal jeito
Mas não foi nada, estancou"
Já Passou - Chico Buarque