quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Te amo quando vejo seu perfil
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Teoria do Esquecimento (ou Prazo de Validade)
Engraçado como a gente luta tanto para conseguir tirar da memória alguém que consome cerca de 70% do espaço e essa pessoa geralmente demora a sair dali e quanto mais você luta mais embaralha os vestígios dela entre suas entranhas.
De repente, você está ali sentado de frente pra ele, ou cruza seu caminho no corredor, ou pegam o mesmo ônibus, ou qualquer outra dessas trivialidades acontece e aí está o ponto. Vira trivial.
Vira trivial... Quando isso acontece você percebe que todoas as lutas na base do cabo de vassoura que você travou consigo mesmo foram vãs, porque o individuo foi embora sem nem pestanejar e não mais que de repente, aí vem outra preocupação. Será que nunca aconteceu de verdade, nunca ultrapassou a barreira de um dia tornar-se corriqueiro?
Nem aquela vez que eu jurei e ouvi juras, até aí passou, até quando eu pensei que não ia passar mais nunca, que o chão faltaria para sempre, que um fragmento meu - justo aquele que me dava suporte e segurança tinha se partido. Não partiu. Não quebrou, só andou meio bambo, mas logo voltou a trilhar certo caminho(ou o caminho certo?).
A vida no final tem sido isso mesmo, sem quebrar e parecendo quebrado, sem doer e causando dor, sem chorar e derramando lágrimas e aí a gente conserta o que não precisa (ou não tem conserto), o que não dói é acalentado e o que as lágrimas não molharam a gente seca. E vai levando.
sábado, 1 de janeiro de 2011
Câncer
Bateu a porta com força, mais cedo já tinha arrumado tudo. Ou será que bateu a porta com tudo e mais cedo já tinha arrumado força? O fato é que saiu. Saiu e deixou só um maço de cigarro sobre a mesa, tanta coisa pra se esquecer, livros com marcas nossas, cartas mal acabadas feitas de bilhetes para geladeira, mas só ficaram mesmo os cigarros.
Já fazia tempo aquela minha inquietação, ensaiei mil maneiras de lhe dizer aquilo, em todas elas você estava tão frágil e eu decidida enquanto me olhava no espelho e repetia quase com certeza eu vou ter que te deixar. De tanto que repeti acreditei mais do que o que deveria, de tanto dizer achei que até você já tinha escutado.
Mas faz poucos dias desde aquela manhã que eu realmente disse e você nem reagiu mal, levantou e perguntou se eu estava certa, acho que minha convicção ensaiada funcionou tão bem que você a sentiu pairando no ar e foi aí que não esperou a resposta, aproveitou e saiu, foi até o quarto e eu também saí, fui direto para a escada e lá fiquei algumas horas pensei em ir lá de novo e te dizer novamente, estava incompleta, me faltava uma reação sua.
E naquele dia foi tudo o que aconteceu e mal nos falamos até então, quando hoje cheguei cansada depois de um dia todo na rua, por aí e sem destino, após ter saído de casa sem nem ter calçado os chinelos, entrei a tempo de te ver saindo e batendo a porta, provocando finalmente algum estrondo.
Dei uma olhada em volta e me deparei com o maço aberto sobre a mesa, decidi calibrar o seu cheiro que já era forte dentro da sala, ascendi um cigarro e depois outro e outro, seguidos, descompassados e com os pés sujos timidamente sobre o centro, acho que porque sabia que você censuraria tal ato, acho que porque queria que você voltasse e se esquecesse de tudo e aí reparasse nos meus pés e esse fosse nosso maior problema. Senti um frio estranho que me fez encarar a janela onde a cortina solidária tremia junto comigo.
Trêmula, pensando na quantidade de nicotina que eu já ingeri, me levantei e fechei a janela, fiz mal, porque agora era eu a única que tremia na sala e era sem explicação. A passos lentos fui conferir no armário se você não esqueceu nada, não, talvez só tenha esquecido de ficar e de esquecer tudo o que eu disse. Acendi outro cigarro e fiquei até com raiva por um minuto pela bagunça que você fez entre minhas coisas procurando pelas suas, mas isso é nada diante da bagunça que você fez na minha vida enquanto saía dela. O que eu faria agora com tanto espaço no armário? De certa forma gostava de me amontoar entre seus pertences.
Mas logo encontro um jeito de te apagar de mim, só preciso de mais um tempo, para me orientar e entender que tudo isso é simples falta de hábito, estranhamento. Logo eu te limpo de todas as minhas músicas favoritas e dou a elas o sentido vazio e distante de antes. Preciso queimar tudo, mas toda vez que ascendo o isqueiro não faço mais que produzir cinzas, acho até que estou provocando o efeito contrário e estou te tragando pra dentro de mim cada vez mais. Agora eu tenho todo o espaço que queria, o que vou fazer com ele?
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Cores de Almodóvar

Filme:Volver
Gênero: Drama
Ano de lançamento:2006
Direção e Roteiro: Pedro Almodóvar
Se não tivesse se decidido pelo Cinema, Almodóvar teria sido muito bem acolhido no mundo das artes plásticas, seus filmes têm as características visuais tão marcantes como num quadro. Reconhece-se uma película desse renomado espanhol antes mesmo do acesso a sua ficha técnica como uma tela de Tarcila do Amaral. Cores fortes e formas harmoniosamente dispostas são responsáveis por envolver as personagens numa atmosfera provocante, perturbadora e envolvente. A existência dessa terceira presença nas suas obras confere ao cineasta um poder místico de se fazer de palco para sua própria invenção.
Em Volver Raimunda (Penélope Cruz) é uma jovem trabalhadora que sustenta um marido desempregado e uma filha adolescente. Essa mulher vê sua vida mudar no dia em que encontra seu marido morto no chão da cozinha e para piorar sua filha confessa ter assassinado o pai já que o mesmo tentara abusar sexualmente dela.
A protagonista está desamparada e com um grande problema, mas ainda sim em assume a responsabilidade e resolve se livrar do corpo, nesse momento outros acontecimentos cruzam essa história complicando ainda mais. Sole (Lola Dueñas), sua irmã mais velha, liga para lhe contar da morte da sua tia Paula (Yohana Cobo), mas Raimunda não pode ao menos comparecer ao enterro.
A ida de Sole sozinha traz o terceiro elemento dessa história, a mãe das duas que todos julgavam estar morta. Com todas essas arestas que vem a tona na vida dessas mulheres, elas entram em contato com velhos nós do passado que se desatarão aos poucos.
O filme é forte e chega a ser quase surreal, vida e morte convivem no mesmo povoado onde também a loucura faz seus passeios e assim como nossas vidas, chega até a flertar com a comédia ou com a leveza do cotidiano, mas tudo sem escapar do tempero forte e dramático que arremata.
Volver também herda outro traço inconfundível de seu criador, a tradução da alma feminina e todo o seu poder de encantamento e sedução, o foco na força feminina que se apoia na sensualidade faz da mulher uma navalha, verdadeira senhora do destino tanto que no filme a presença masculina é minimizada sem maiores danos, assim recheada de dons especiais se concretiza a trama atroz e marcante numa velocidade estonteante.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Veja você se é namoro ou amizade
O que mais existe por aí é namoro errado. Okay, quem é você Maria Eduarda pra definir o que é namoro certo e namoro errado? Foda-se, não é que seja errado até porque nada é definitivamente errado, mas é que o que mais existe por aí é namorinho de fachada, que está cheio de regras e bla bla blas.
Porque os amigos são tão mais íntimos que os namorados? Porque com os amigos se pode dizer tudo o que pensa e confiar plenamente e pra namorar tem que seguir regras, joguinhos de sedução e etc? Acho que dentro desse contexto não sei namorar, não sei conviver sem falar logo o que penso, sem tratar de igual pra igual.
Não consigo acreditar que com a pessoa com quem você divide momentos mais íntimos, carícias e tal você não pode dividir aquelas coisas mais básicas, tem que ficar escondendo as coisas, tem que ficar desabafando com amigos, pedindo pinião sobre o seu próprio relacionamento para terceiros.
Tudo bem, talvez seja isso o que salve os relacionamentos, mas eu ainda acredito numa forma diferente de amor, porque se não acreditasse nunca teria amado ninguém, nem pelo menos o pouco que eu amei dois ou três por aí… Acredito no amor além das expressões clichês, acredito num amor que marque n.d.a nos testes da Capricho.