
Perder algo/alguém mesmo que não seja seu ou não tenha relação direta com você sempre é estranho. Faz você pensar no sofrimento e em outras coisas desagradáveis que só esses momentos conseguem trazer.
A morte de Amy está sendo assim, uma perda estranha. É a sensação de que de fato tem algo de errado acontecendo com o mundo.
Uns anos atrás, um pouco antes de ir para o Cefet, querendo trocar um dinheiro entrei numa espécie de revistaria/livraria, mas a moça não tinha troco. Então já estava quase saindo quando parei em frente a "biografia" da senhorita Winehouse, não sei por quê - não sei mesmo já que conhecia pouquíssimo sobre a cantora -, mas comprei.
Foi o primeiro passo. A partir daí, passei a ouvir mais, conhecer melhor e até a admirar esse jeito Amy desregrado de ser. Essa fragilidade pra vida que acabou a levando para a dependência. Esse amor desesperado pelo marido e a vida louca que eles levavam. As temáticas das suas músicas, a naturalidade da sua força vocal contrastando com a presença desengonçada. Tudo.
Aí, não sei quanto tempo depois, quando estava começando o a desenvolver o Garota Clínica, registrei essa minha admiração, numa das primeiras postagens sérias que escrevi, intitulada The Diva and Her Demons.
Nessa altura do campeonato eu já tinha muita propriedade sobre o caso Winehouse e numa das aulas de inglês do segundo ano a professora com mais uma de suas dinâmicas levou uma das músicas da Diva para análise. Me ofereci para falar um pouco sobre a cantora, sua trajetória e principalmente, tentar resgatar nesse momento as qualidades que sua música tem e tem passado despercebidas. Agradei com a narrativa, conquistei pontos com Jaqueline Gil e o convite para uma pequena fala nas outras turmas, um esboço do que tinha feito na minha.
A experiência foi determinante na construção de uma das certezas que tenho hoje, eu tenho alguma ligação muito forte com a música, mesmo não tocando - muito menos cantando - coisa nenhuma tem alguma coisa que traz o elemento sempre pra perto de mim.
Continuei muito fã de Amy e das suas músicas, sempre me envolvia em discussões e nem sempre meu ponto de vista sobre seu trabalho era o mesmo. Como todo bom relacionamento já tivemos nossos altos e baixos, digamos assim.
Ultimamente andei lendo Férias, da Marian Keyes e o assunto é dependência química, não sei porque mas a leitura mexeu muito comigo. A ponto de me colocar de cama totalmente baixo-astral desde o final de quinta até sexta a noite, quando finalmente terminei o livro. Ainda depressiva me arrastei pelo sábado remoendo o conteúdo lido. A personagem do livro tinha 27 anos.
"She walks away
ResponderExcluirThe sun goes down,
She takes the day but I'm grown
And in your way
In this blue shade
My tears dry on their own."