Estava relutante em escrever a respeito, mas a insensibilidade de alguns (poucos, ainda bem) me motivou. Não em nome da organização da Marcha, porque não vou ser porta-voz de ninguém se não da minha própria indignação e consciência.
Se você acha que a polícia tem direito de agir violentamente contra as pessoas que decidem se manifestar, se você concorda que lutar a favor da liberdade e do direito de livre expressão é inútil, se você acha que que se manifesta não tem mais o que fazer, eu tenho uma coisa pra te dizer: reveja seus conceitos.
A maioria das pessoas que eu conheço adoram estudar o período recente da história do Brasil com suas lutas estudantis pelo final da Ditatura, com as manifestações artísticas a flor da pele, diretas já e etc. É uma pena que muitas dessas pessoas não sejam capazes de enxergar o que está acontecendo agora, não seja capaz de ver que ainda podemos nos manifestar que muitas vezes os movimentos que começam no virtual precisam sair e ganhar força no espaço real.
Uma série de comentários contra a Marcha da Liberdade chegou até mim por acaso, estava pronta para receber críticas bem construídas e disposta a debater sobre isso, mas o que veio foi tão decepcionante, piegas e clichê que chegou a ser cômico.
"Porque vocês não lutam contra a fome, a pobreza, etc etc ao invés de marchar pela liberdade, etc etc..."
Eu poderia responder isso com uma simples pergunta: O que você tem feito a favor dessas causas? Mas prefiro explicar e quem sabe assim alguém entenda e para de uma vez com essa indagação sem sentido.
Existem milhares de pessoas no Brasil, milhões no mundo e muitas delas vivem em condições diferentes. Existem diferentes classes e com isso diferentes necessidades para ser supridas, muitas pessoas tem sanadas suas necessidades primárias como comida e moradia e precisam de mais segurança por exemplo, outras se sentem seguras mas precisam de mais espaço para lazer e reivindicam mais fontes de cultura e educação.
Com isso antes de perguntar sempre porque não nos conectamos às necessidades primárias lembre-se que existem outros interesses e não é que não nos importamos com as crianças que passam fome e frio, a gente só está apoiando outras causas e construindo uma sociedade melhor por outros caminhos.
"Vocês são desocupados, ao invés de marchar bla bla bla procurem uma trouxa de roupa pra lavar etc, etc"
Olha todos nós temos sim o que fazer e estamos fazendo, porque além dos nossos afazeres pessoais - acredite muitos de nós lavam roupa! - a gente ainda se preocupa com algo mais, nos preocupamos com as pessoas que saem de casa e vão para a rua protestar pacificamente e as vezes não voltam para casa porque são injustamente presos, ou pior, voltam marcados pela violência.
"Maconheiros, blá blá, blá, marcha da maconha, etc etc, etc."
Eu não fumo maconha, mas sou a favor da descriminalização. Mas não é essa a bandeira da vez, não estamos fazendo a "Marcha da Maconha". Sim, o evento que originou tudo isso foi a violência com que os policiais repreenderam os manifestantes a favor da legalização, mas o que nos preocupou principalmente foi a forma de repreensão, a violência. Se você deixa passar uma coisa assim só porque não é usuário da erva ou não foi com você fique atento você está dando espaço para a repressão chegar até a sua porta.
E aqui fica o meu recado para você que é contra quem 'fuma maconha na rua' mas faz uso dentro de casa e é contra a descriminalização, você alimenta o tráfico tanto quanto outro e pior, se sente confortável nessa posição.
Acho que é isso, não estamos a favor da maconha, mas não estamos contra ela, não somos um movimento gay, mas queremos direitos iguais para todos, mas acima de tudo isso somos pessoas que querem se unir e marchar juntas, que entendem que não dá pra se calar nunca. Se você já se sente completamente livre ótimo! Venha e celebre isso com a gente!
Sejam mais compreensivos e menos agressivos, não se armem contra quem não quer luta. Não estimulem os preconceitos e estereótipos.
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